Real Madrid
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História do Real Madrid: 1902-2026, a narrativa completa

História do Real Madrid, fachada exterior do estádio Santiago Bernabéu, em Madrid
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A 6 de março de 1902, um pequeno grupo de estudantes madrilenos reuniu-se numa sala dos fundos para fundar o Madrid Football Club. Sem estádio, sem patrocinador, nem sequer com uma camisola oficial. Apenas uma bola importada de Inglaterra e a vontade de jogar. Nessa noite, ninguém imaginava que aquele pequeno clube se tornaria o mais laureado do mundo do futebol.

Cento e vinte anos depois, o Real Madrid conta com 15 Ligas dos Campeões, 36 títulos da Liga e um palmarés que até os seus rivais acabaram por reconhecer. Não é por acaso, nem por sorte. É uma história de visionários, de transferências que mudaram o futebol, de reviravoltas impossíveis e de um branco imaculado que se tornou um símbolo. Contamos-lhe tudo, por ordem.

A história do Real Madrid começa em 1902

A história começa no final do século XIX, quando alguns estudantes da Institución Libre de Enseñanza descobriram o futebol graças a professores britânicos radicados em Madrid. Em 1897, surgiu o primeiro clube informal, o Sky Football Club. Mas foi a 6 de março de 1902 que Julián Palacios registou oficialmente os estatutos do Madrid Football Club.

O primeiro presidente chama-se Juan Padrós e, juntamente com o seu irmão Carlos, gere a loja de moda «Al Capricho» em Madrid. Os Padrós estão entre os primeiros a criar um clube em torno da juventude universitária e burguesa da capital. Os primeiros jogos disputam-se num terreno baldio perto do hipódromo, sem bancadas, sem balneários e, por vezes, sem balizas.

Apenas três anos após a sua fundação, em 1905, o clube conquistou a sua primeira Taça de Espanha ao derrotar o Athletic de Bilbau na final. Esta vitória lançou as bases de uma tradição de conquistas que nunca mais abandonaria o clube. Desde os seus primeiros anos, o Real Madrid atraiu os melhores jogadores da capital e defendeu a profissionalização do futebol espanhol, então amplamente dominado pelas touradas e pelo ciclismo.

Do Madrid FC ao Real Madrid: o título real de 1920

A 29 de junho de 1920, o rei Afonso XIII concedeu ao clube o título de «Real», com o direito de exibir a coroa no seu escudo. O Madrid Football Club passou a chamar-se oficialmente Real Madrid Club de Fútbol. Não se tratou apenas de uma mudança de nome, mas sim de uma consagração que enraizou o clube na identidade nacional espanhola.

Durante a década de 1920, o Real Madrid mudou-se para o Estádio Chamartín em 1924, um recinto com cerca de 16 000 lugares (ampliável para 22 000 na década de 1930), o que representou um avanço considerável. O clube conquistou várias taças regionais, estruturou a sua organização e começou a formar um verdadeiro núcleo de adeptos.

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) atingiu o clube de cheio. O estádio de Chamartín foi bombardeado, os arquivos parcialmente destruídos e vários jogadores exilaram-se ou desapareceram. O clube sobreviveu, exausto. Foi nessas ruínas que um homem chegou e mudou tudo: Santiago Bernabéu.

O Bernabéu, palco das mais belas epopeias europeias do clube.

Santiago Bernabéu, o homem que reconstruiu tudo

Bernabéu foi eleito presidente em 1943. O clube estava de joelhos. A sua primeira decisão deixou toda a gente perplexa: construir um novo estádio gigantesco, numa altura em que a Espanha saía da guerra civil e ninguém tinha um cêntimo. Em 1947, o Nuevo Estadio Chamartín abre as suas portas com 75 000 lugares. Para financiar esta loucura, Bernabéu inventa o crowdfunding antes do seu tempo: emite obrigações junto dos sócios, que emprestam o seu dinheiro ao clube. Um modelo que tem sido copiado em todo o lado desde então.

Mas o estádio é apenas o invólucro. O Bernabéu quer o conteúdo: os melhores jogadores do mundo. A sua estratégia era revolucionária para a época: contratar estrelas internacionais, colocá-las a jogar perante 75 000 pessoas e reinvestir as receitas em novos talentos. Um círculo virtuoso que continua a funcionar ainda hoje, 80 anos depois.

O estádio passou a chamar-se Estádio Santiago Bernabéu em 1955, ainda em vida do seu construtor, uma honra extremamente rara no futebol. Bernabéu permaneceu como presidente até à sua morte em 1978, ou seja, 35 anos à frente do clube. Nenhum presidente o superou.

Di Stéfano e as primeiras cinco Taças da Europa

1953. O Real Madrid concretiza a transferência mais importante da sua história: Alfredo Di Stéfano, o avançado argentino do Millonarios de Bogotá. A transferência causou um escândalo. O FC Barcelona tinha um acordo prévio com o jogador, mas uma confusão jurídica orquestrada em parte pela Federação Espanhola permitiu ao Real levar a melhor. Os catalães nunca perdoariam.

Di Stéfano transforma tudo. Não é um avançado clássico, é um jogador completo antes do seu tempo, capaz de defender, criar jogadas, marcar e organizar o jogo a partir de qualquer zona do campo. Em 11 temporadas com a camisola branca, marcou 308 golos em 396 jogos e levou o Real Madrid a um domínio nunca antes visto.

Entre 1956 e 1960, o Real Madrid conquistou cinco Taças dos Campeões Europeus consecutivas. Cinco. Ninguém jamais igualou este feito, e provavelmente ninguém o igualará. A final de 1960, um 7-3 contra o Eintracht Frankfurt no Hampden Park perante 127 000 espectadores, continua a ser considerada por muitos como o melhor jogo da história do futebol. Di Stéfano marcou um hat-trick e Ferenc Puskás um quadruplê.

Esta equipa conta também com Francisco Gento, o único jogador da história a ter conquistado 6 Taças da Europa, Raymond Kopa (o vencedor da Bola de Ouro de 1958) e José Santamaría. Uma constelação de talentos reunidos pela visão de Bernabéu e pelo génio de Di Stéfano. Para compreender melhor este período fundador, escrevemos um artigo dedicado à primeira Taça dos Campeões Europeus de 1956.

A travessia do deserto e a Quinta del Buitre

Após a era Di Stéfano, o Real Madrid dominou a Liga, mas teve dificuldades na Europa. Em 1966, conquistou a sua 6.ª Taça dos Clubes Campeões Europeus, mas depois não ganhou mais nada durante 32 anos. Os anos 70 foram marcados pela ascensão do rival de Barcelona e pelo surgimento do futebol holandês de Cruyff.

A morte de Bernabéu em 1978 deixou um vazio imenso. O clube passou por vários presidentes sem conseguir recuperar uma visão de longo prazo. As vitórias na Liga continuaram (cinco títulos consecutivos entre 1986 e 1990), mas a Europa parecia amaldiçoada.

Desse período nasce, no entanto, um dos movimentos mais românticos do futebol espanhol: a Quinta del Buitre. Cinco jogadores formados no clube — Emilio Butragueño, Míchel, Martín Vázquez, Sanchís e Pardeza — lideram o Real Madrid com um jogo espetacular e uma sintonia quase telepática. O jogo contra o Borussia Mönchengladbach em 1985 (4-0, depois de terem estado a perder por 5-1 na ida) continua a ser uma das reviravoltas mais incríveis da Taça UEFA.

Butragueño, apelidado de «El Buitre» (o abutre) devido ao seu faro de golo, personifica esta geração com uma elegância que lembra os momentos de glória de Di Stéfano. A Quinta prova algo importante: o Real Madrid também sabe formar jogadores, não se limita apenas a comprá-los.

Os Galácticos: Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham

2000. Florentino Pérez é eleito presidente com uma promessa ousada: contratar Luis Figo, a estrela do FC Barcelona. Ninguém acredita nisso. Ele cumpre a palavra. Figo chega ao Bernabéu por 60 milhões de euros, um recorde mundial. No dia seguinte, no Camp Nou, os adeptos do Barça choram. A era dos Galácticos está lançada.

Todos os verões, chega uma nova estrela. Zinédine Zidane em 2001, por 75 milhões de euros, o que constituiu um novo recorde mundial. Ronaldo (o brasileiro) em 2002. David Beckham em 2003. O Real Madrid não contrata jogadores, coleciona lendas vivas. O marketing explode, as vendas de camisolas do Real Madrid batem todos os recordes mundiais. A audiência da Liga na Ásia dispara.

Em campo, o balanço é contrastante. A Liga dos Campeões de 2002 foi conquistada graças a um remate de voleio lendário de Zidane na final contra o Bayer Leverkusen, um dos mais belos golos de sempre marcados numa final europeia. Mas as épocas seguintes foram decepcionantes. O desequilíbrio entre as estrelas ofensivas e a solidez defensiva sai caro: Claude Makélélé, o melhor médio defensivo do mundo na época, é vendido ao Chelsea para dar lugar a Beckham. Um erro histórico.

O fracasso europeu entre 2003 e 2014, apelidado de «a maldição da Décima», viria a assombrar o clube durante mais de uma década. Se quiseres saber o que Florentino Pérez realmente mudou no clube, é aqui que tens de procurar.

A era Mourinho-Ancelotti e a famosa Décima

2009. Florentino Pérez regressa à presidência e lança uma segunda vaga de Galácticos: Cristiano Ronaldo (94 milhões de euros, mais um recorde), Kaká, Karim Benzema, Xabi Alonso. Em seguida, nomeia José Mourinho treinador em 2010.

Mourinho electriza o balneário e o Bernabéu. A La Liga de 2012 é conquistada com 100 pontos e 121 golos marcados, dois recordes absolutos. Mas o português fracassa nas meias-finais da Liga dos Campeões por três anos consecutivos, e a sua gestão conflituosa acaba por dividir o grupo.

Foi Carlo Ancelotti, com a sua serenidade italiana, quem finalmente conquistou a Décima a 24 de maio de 2014, no Estádio da Luz, em Lisboa. O cenário é digno de Hollywood: a perder por 1-0 frente ao Atlético de Madrid até aos 93 minutos, Sergio Ramos empata de cabeça após um canto. O Real vence por 4-1 na prorrogação. Doze anos de frustração evaporam-se em 30 minutos de futebol total.

Naquela noite, Cristiano Ronaldo terminou a época com 17 golos na Liga dos Campeões, um recorde. Ele está no auge da sua carreira, e o Real Madrid está de volta ao topo da Europa.

A tríplice coroa de Zidane: 2016, 2017, 2018

A chegada de Zinédine Zidane como treinador, em janeiro de 2016, marcou o início do período mais glorioso do clube desde os anos 50. Em apenas dois anos e meio, Zidane conquistou três Ligas dos Campeões consecutivas (2016, 2017, 2018), um feito sem precedentes na era moderna da competição.

A final de 2017 contra a Juventus (4-1) foi um verdadeiro recital. A de 2018 contra o Liverpool ficou marcada pelo remate acrobático de Gareth Bale, um dos golos mais bonitos de sempre marcados numa final, em qualquer nível. Para além das individualidades, é a solidez coletiva que impressiona: Sergio Ramos como líder da defesa, Luka Modrić como maestro, Toni Kroos como metronomo e Cristiano Ronaldo como finalizador implacável.

Modrić conquista a Bola de Ouro de 2018, pondo fim a dez anos de duopólio entre Messi e Ronaldo. É o reconhecimento de um jogador que personifica a inteligência tática do Real de Zidane: sem músculos espetaculares, sem velocidade bruta, apenas uma visão de jogo e uma técnica que silenciam os estádios.

Zidane demitiu-se em maio de 2018, no auge. Tanto como jogador como treinador, parte sempre quando está no topo.

O Real Madrid de hoje: Bellingham, Mbappé e o que se segue

Após a saída de Cristiano Ronaldo para a Juventus em 2018, o Real Madrid atravessa um período de transição. Karim Benzema sai da sombra de CR7 e destaca-se: Bola de Ouro de 2022, melhor marcador da Liga dos Campeões, líder técnico e emocional do balneário.

A 14.ª Liga dos Campeões de 2022, conquistada sob o comando de Ancelotti, de regresso ao cargo, é uma obra-prima de pura resiliência. O Real eliminou sucessivamente o PSG, o Chelsea e o Manchester City graças a reviravoltas improváveis, antes de derrotar o Liverpool na final (1-0) graças a um Thibaut Courtois em grande forma.

História do Real Madrid: a Fonte de Cibeles, em Madrid, local de celebração dos títulos
A fonte de Cibeles, local histórico de Madrid onde os adeptos do Real Madrid celebram cada título há décadas.

Em 2024, Kylian Mbappé junta-se finalmente ao Real Madrid após anos de especulação. O francês, formado no AS Monaco e revelado no PSG, traz a sua velocidade supersónica e o seu instinto de goleador para um plantel já repleto de nomes como Jude Bellingham e Vinícius Júnior. O novo Bernabéu, renovado por 1,8 mil milhões de euros com um teto retrátil e um campo retrátil, é o palco de um clube que se recusa categoricamente a viver no passado.

A camisola branca na história do Real Madrid


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O branco imaculado do Real Madrid não é fruto do acaso. Já em 1902, o clube adotou o branco por admiração pelo Corinthian FC, um clube amador inglês que jogava com equipas totalmente brancas. Ao longo das décadas, esta cor tornou-se um símbolo de elegância e prestígio, a tal ponto que os jogadores adversários costumam referir-se a «vestir a camisola mais pesada do mundo» quando chegam ao clube.

A camisola evoluiu ao longo dos tempos: a simples camisola polo dos anos 50, o icónico decote em V da era Di Stéfano, o design Hummel dos anos 80 e, depois, a chegada da Adidas em 1998, que modernizou o corte, respeitando ao mesmo tempo a pureza da tradição. Hoje, a camisola do Real Madrid é simplesmente a mais vendida do mundo, à frente do Manchester United e do FC Barcelona. Se quiseres aprofundar esta história, fizemos um artigo completo sobre a história da camisola do Real Madrid.

O que é importante reter

  • O Real Madrid foi fundado a 6 de março de 1902 com o nome de Madrid Football Club, tendo recebido o título de «Real» em 1920 do rei Afonso XIII.
  • Santiago Bernabéu é a figura central do clube moderno: presidente entre 1943 e 1978, foi ele quem construiu o estádio e definiu a estratégia de contratação internacional que ainda hoje define o Real Madrid.
  • A era Di Stéfano (1953-1964) trouxe cinco Taças da Europa consecutivas entre 1956 e 1960, um recorde absoluto nunca igualado.
  • Florentino Pérez relançou o clube em 2000 com os Galácticos (Figo, Zidane, Ronaldo, Beckham) e, posteriormente, com a segunda vaga da década de 2010 (Cristiano Ronaldo, Modrić, Kroos).
  • A tríplice coroa europeia de Zinédine Zidane (2016, 2017, 2018) é um feito único no futebol moderno.
  • O clube conta hoje com 15 títulos da Liga dos Campeões, um recorde absoluto, e um plantel liderado por Mbappé, Bellingham e Vinícius para os próximos anos.
  • A camisola branca, inspirada no Corinthian FC de 1902, tornou-se a camisola mais vendida do mundo.

Para saber mais

A história do Real Madrid é demasiado rica para caber num único artigo. Para aprofundar o conhecimento sobre as figuras e os momentos que marcaram o clube, recomendamos os nossos artigos sobre Santiago Bernabéu, o construtor, sobre a primeira era dos Galácticos e sobre a chegada de Kylian Mbappé em 2024. Para um mergulho no auge da era moderna, temos também um dossiê completo sobre a tríplice coroa europeia de 2016-2018 e outro sobre a Quinta del Buitre, esses filhos de Castela que colocaram o clube de volta nos eixos após a saída de Bernabéu. O palmarés completo do clube pode, além disso, ser consultado no site oficial do Real Madrid.

Perguntas frequentes

Quando foi fundado o Real Madrid?

O Real Madrid foi fundado a 6 de março de 1902 com o nome de Madrid Football Club, por um grupo de estudantes madrilenos apaixonados por futebol. O título «Real» foi concedido pelo rei Afonso XIII em 1920, juntamente com o direito de exibir a coroa no escudo.

Quantas Ligas dos Campeões o Real Madrid já ganhou?

O Real Madrid detém o recorde absoluto com 15 Ligas dos Campeões. As primeiras cinco foram conquistadas consecutivamente entre 1956 e 1960, sob a liderança de Alfredo Di Stéfano, e depois mais três consecutivas entre 2016 e 2018, com Zinédine Zidane como treinador.

Por que é que o Real Madrid joga de branco?

O branco foi adotado desde a fundação do clube, em 1902, em homenagem ao Corinthian FC, um clube amador inglês que os fundadores admiravam. Esta cor tem sido o símbolo do clube há mais de 120 anos, e a camisola branca do Real Madrid é hoje a mais vendida do mundo.

Quem é o maior goleador da história do Real Madrid?

Cristiano Ronaldo detém o recorde absoluto, com 450 golos em 438 jogos entre 2009 e 2018. Ele está à frente de Karim Benzema (354 golos em todas as competições), Raúl (323 golos) e Alfredo Di Stéfano (308 golos). É de salientar que Ronaldo apresenta a média de golos por jogo mais impressionante da história do clube.

Qual é o maior rival do Real Madrid?

O FC Barcelona é o rival histórico do Real Madrid. O confronto entre ambos, conhecido como El Clásico, é um dos jogos mais assistidos do mundo, com uma audiência acumulada de várias centenas de milhões de telespectadores por edição. A rivalidade ultrapassa largamente o âmbito desportivo, assumindo uma dimensão cultural e política muito forte entre Madrid e a Catalunha.

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